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Resgate de Jiboia-do-Ribeira reforça o papel estratégico do Vale na conservação global

O exemplar, medindo cerca de 1,70 metro, foi encontrado em novembro por funcionários de uma propriedade rural e, graças à conscientização promovida na região, foi rapidamente encaminhado ao Projeto Jiboia do Ribeira (PJR)

Atualizado em 19/01/2026 às 21:01, por .

Jiboia arborícola enrolada em um galho coberto de musgo, em área de mata atlântica. O animal apresenta padrão de escamas em tons de marrom, bege e preto, com o corpo apoiado de forma camuflada entre a vegetação densa do Vale do Ribeira

Daniela Gennari / Projeto Jiboia do Ribeira.

O Vale do Ribeira, reconhecido por sua rica biodiversidade e pelo desafio de conciliar desenvolvimento e preservação, voltou aos holofotes da conservação ambiental. Recentemente, uma fêmea adulta de **Jiboia-do-Ribeira** (*Corallus cropanii*), espécie considerada pelo Instituto Butantan como uma das mais raras do planeta, foi resgatada viva no município de Juquiá, no interior de São Paulo [1]. O achado não apenas celebra a persistência da espécie, mas também sublinha o sucesso das ações de educação ambiental e o papel crucial da comunidade local no monitoramento da fauna endêmica.

O exemplar, medindo cerca de 1,70 metro, foi encontrado em novembro por funcionários de uma propriedade rural e, graças à conscientização promovida na região, foi rapidamente encaminhado ao Projeto Jiboia do Ribeira (PJR). A serpente está agora sob os cuidados da equipe do PJR e em quarentena no Instituto Rio Itariri (IRI), em Pedro de Toledo, onde passará por um rigoroso protocolo de avaliação clínica e preparo para a reintrodução na natureza.

É um monte de perguntas em aberto que a gente tem sobre essa espécie, que a gente atua com a comunidade do Vale do Ribeira para obter essas respostas,'

Daniela Gennari, Museu de Zoologia da USP e integrante do PJR

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A Rara Corallus cropanii e o PJR

A Jiboia-do-Ribeira é uma espécie endêmica, ou seja, só existe na Mata Atlântica do Vale do Ribeira. Descrita em 1953, ela permaneceu sem registros de exemplares vivos por mais de seis décadas, sendo redescoberta apenas em 2017. Sua raridade e o conhecimento limitado sobre sua biologia e ecologia a colocam em estado de conservação Criticamente Ameaçada.

O Projeto Jiboia do Ribeira, que celebra 10 anos de atuação em 2026, tem sido o motor dessa conservação. O PJR adota uma abordagem que integra ciência de ponta com o saber popular: